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VISÃO DAS IGREJAS NA OBRA DA RESTAURAÇÃO

ATOS 2:42-47 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos


ENTENDENDO A GRANDEZA DO SERVIR
ENTENDENDO A GRANDEZA DO SERVIR

Ministros de Cristo

Entendendo a grandeza do servir

SP, 22/02/11

 

 

I Coríntios 4:1

“Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo...”

Após um longo período de resistência de nossa parte, enfim, nos submetemos ao chamado pastoral para o qual fomos devidamente ordenados em Concílio Consagratório, organizado pela Ordem dos Pastores na Obra da Restauração no Estado de São Paulo, na Igreja em São Miguel Paulista – São Paulo. Não sem antes aquela certeza interior, que de Deus procede, de que era esta Sua vontade incontestável para a nossa vida, a qual foi acompanhada de suficientes evidências e, devidamente confirmada pela Igreja.

 

Refletindo sobre o ministério pastoral para o qual não nos apressamos (Jr 17.16), deliberamos dirimir algumas distorções acerca do mesmo. Não pretendemos e nem temos competência para esgotar o referido assunto, submetendo nossa exposição à critica e aprimoramento daqueles que tem, da parte de Deus, mais luz para fazê-lo.

 

O apóstolo Paulo, instigado pelos problemas da Igreja em Corinto e, em resposta a uma carta deles recebida (I Co 7.1), procura atacar cada problema na medida em que toma conhecimento dos mesmos. Um dos problemas, causa das divisões na igreja de Corinto, tratava-se, justamente, da má interpretação acerca do ministério (I Co 3.5 – 4.5).

 

Nos versículos anteriores ao capítulo quatro, Paulo, de forma introdutória, entre outras coisas fala sobre:

  • Exortação à santidade (1.10-17);
  • A vocação dos santos (1.26-29);
  • Responsabilidade dos que ensinam (3.10-17).

 

No capítulo quatro, Paulo, dando continuidade à sua linha de raciocínio exposta nos versos anteriores, procura apresentar uma concepção correta sobre os “Ministros de Cristo” (4.1).

“Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo...” (ARA)

A menos que atentemos para o sentido etimológico do termo “ministro”, ficaremos aquém do entendimento correto sobre o ponto de vista, a partir da ótica bíblica, sobre quem é o ministro e qual deve ser a sua forma de atuação.

Evidentemente, devemos considerar que o uso do termo não é de domínio exclusivo das igrejas evangélicas quando denominam seus pastores de, justa e respeitosamente, “Ministros da Palavra” ou “Ministros do Evangelho”.

No meio político secular brasileiro, por exemplo, o ministro é um membro do Poder Executivo, geralmente nomeado pelo Presidente da República, por ocasião do início de seu mandato. A pessoa do ministro é caracterizada, antes de mais nada, pela vocação para a política e a presunção de que possua larga experiência na sua área de atuação (saúde, justiça, fazenda, etc.), e tenha ocupado, anteriormente, cargos relevantes no governo.

Nesta conjuntura, a posição de ministro denota um sentido de importância e eminência. Certamente, por força do cargo, será respeitado, admirado, temido e até invejado. Trata-se de uma honra por demais elevada e, não é incomum ver-se ministros mais poderosos ou influentes que presidentes e reis.

A julgar pela posição política ocupada por um ministro, secularmente falando, parece paradoxal e impróprio o uso do mesmo termo pelo apóstolo Paulo, visto sua evidente intenção de combater o famigerado e pecaminoso orgulho dos crentes coríntios - “Não é boa a vossa jactância.” (I Co 5.6). Devemos considerar, todavia, que Paulo usou um termo grego para gregos. De forma que, eles sabiam exatamente o que Paulo queria dizer.

Se considerarmos a questão a partir da ótica de Jesus (e obrigatoriamente devemos fazê-lo), perceberemos estarmos caminhando na contramão do sistema humano vigente. Ouça isto: “... Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve.” - Lc 22.25,26 - (grifo nosso).

Todo o sistema de governo do mundo tem a sua pedra de toque na palavra “sobre”. Estar “sobre” as demais pessoas faz toda a diferença e define, de forma clara, quem é quem no jogo do poder. Os ricos dominam “sobre” os pobres, os fortes “sobre” os fracos, os inteligentes “sobre” os ignorantes e, assim por diante.

Jesus, a partir de seu próprio exemplo, define a ótica divina sobre liderança, determinando que: “liderar é servir” (Lc 22.26).

Vejamos então o sentido etimológico da palavra “ministro”.

A palavra ministro vem do latim minus, menor. Antigamente, o ministro era um simples criado. Aquele que executava as tarefas menores na casa de seu senhor.

Não é sem razão, por tanto, que os pastores são, também, chamados ministros.

Na mesma linha de pensamento (e não poderia ser do contrário), Paulo conceitua o ministro como um servo, todavia, o termo utilizado em I Coríntios 4.1, no original grego é “huperetas”. Literalmente significa "remador-subordinado", alguém inteiramente submisso à vontade de outrem ("huperetas Christós" = ministros de Cristo). Tratava-se de um escravo condenado à morte, cuja única função era remar no porão mais inferior dos grandes navios romanos, do tipo trireme.

Vejamos as principais características de uma trireme:

A Galera do tipo Trireme, apareceu no século V Antes de Cristo e foi utilizada pelos Gregos e, posteriormente, pelos romanos.

A Trireme caracterizava-se por três fileiras de remos, em que cada remo era movido por um remador. Os remadores estavam escalonados e colocados de forma a que o seu movimento não impedisse o do remador mais próximo de manusear o remo. Os remos tinham entre 4 a 4,2 metros cada um.

Embora as Triremes tivessem várias configurações e não fossem naturalmente todas iguais, podemos considerar que o tipo mais comum tinha cerca de 200 pessoas. Dessas, 170 eram tripulação e, os restantes 30, faziam parte da guarnição.

A Trireme grega era especialmente utilizada para abalroar navios inimigos tentando, posteriormente, fazer marcha à ré. Assim, afundava-se o navio e passava-se ao navio seguinte.

A aproximação romana ao problema parece ter sido diferente, porque os romanos pretendiam não necessariamente destruir o navio inimigo, mas sim capturá-lo. Por isso desenvolveram sistemas que permitiam e facilitavam a abordagem.

Por essa razão as Triremes romanas muitas vezes tinham uma maior guarnição (até 100 homens) que os navios gregos que estavam reduzidos a um pequeno número de 30 homens a bordo.

 

Galera trireme romana

(sobre a trireme, fonte: http://www.areamilitar.net/DIRECTORIO/nav.aspx?nn=98- em21/02/11- às 22:10H)

 

A partir do entendimento do que era um huperetas e no que consistia sua função na trireme, percebemos exatamente que tipo de recado Paulo pretendia dar aos crentes da igreja em Corinto, visto a arrogância e orgulho dos mesmos não condizer, exatamente, com a figura do huperetas. Ouça as palavras de Paulo, ainda no mesmo capítulo quatro da primeira carta, quando denuncia a arrogância e orgulho daqueles cristãos:

  1. Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro.
  2. Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?
  3. Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.

Ao iniciar o dito capítulo com ênfase no termo em questão, Paulo procura colocar o obreiro no seu devido lugar, ou seja, naquele determinado por Jesus em Lucas 22.26: “... o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve.”

Da mesma forma, de acordo com tal princípio, não é condizente, o que é bastante comum nos dias modernos, porém, não se trata de nenhuma novidade, a postura de “ministros” que pretendem exercer domínio sobre o povo de Deus (I Pe 5.2,3).

Em que pese a posição de serviçal, subordinado e escravo do remador (huperetas-ministro), outras considerações devem ser feitas a respeito do mesmo:

  1. O remador não o era por vontade própria, escolha ou interesse pessoal, isto lhe era imposto;
  2. Não era uma profissão e, sim, uma imposição à qual não havia como resistir;
  3. Considerando que antes de se tornar remador já se tratava de um condenado à morte, sê-lo dava-lhe uma opção à morte imediata. Sobreviveria mais algum tempo (quem sabe?);
  4. Geralmente ficava acorrentado ao navio enquanto remava, para evitar a fuga em meio aos perigos e riscos da batalha;
  5. Por conta disto, o seu destino estava irremediavelmente ligado ao do navio, se este afundasse...;
  6. Devia remar em sintonia com os demais remadores, para tanto, havia alguém marcando o ritmo num tambor;
  7. Remava de acordo com as ordens do capitão que estava no nível superior do navio e que, portanto, tinha a visão certa do sentido a ser tomado e, enfim;
  8. Era responsável pelo movimento da embarcação, porém, os resultados e méritos da batalha atribuíam-se ao capitão.

Para cada ponto anteriormente apresentado faremos algumas breves e importantes observações correlacionadas (compare os pontos entre si).

  1. No que diz respeito ao ministério pastoral, é por demais arriscado aventurar-se no mesmo sem evidências claras de que se trata de um chamado e uma imposição divinos, pois, como diz Hebreus 5.4: “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão.”;
  2. O ministério não é profissão e sim vocação. Profissão se aprende; vocação se recebe: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento.” (I Co 1.26);
  3. Os riscos são imensos. Talvez o ministro sobreviva; talvez morra em meio à batalha. O remador viveria enquanto estivesse ligado ao navio e neste fosse útil. Em certo sentido a vida do ministro está estritamente relacionada ao ministério e só nele ela tem sentido. O verdadeiro ministro vive e morre pelo ministério; nele está seu senso de utilidade. Seu amor, gratidão e todo sentimento justo para com seu Mestre se revela no esforço empreendido no ministério, com vistas a agradá-Lo;
  4. Ministro e ministério formam um todo harmônico. Um sem o outro é improvável, inexistem, perdem a razão de ser. Estão estritamente ligados; o fim de um é o fim do outro. O sucesso de um é o sucesso de ambos. Estão acorrentados entre si; não tem como separar-se, a menos que cumpram juntos sua missão;
  5. Perecendo o ministro, perece seu ministério; sobrevivendo um, sobrevivem ambos. A proteção deve ser mútua;
  6. Um único remador não podia mover sozinho a embarcação. O bom ministro arregimenta outros ministros para remar com ele. Reme ritmado, sincronizado com os demais e poupe a si mesmo;
  7. O remador, por si só, não tem senso de direção, recebe-o do capitão. Tanto a direção como a estratégia certas vem Daquele que está “acima”, no “nível superior”;
  8. Por fim, o verdadeiro ministro caracteriza-se mais pelo resultado do seu serviço no reino de Deus do que pela posição em si (lembrando que a mesma é inferior). Deus cobra e exige resultados (Mt 25.26,27). Quando eles (os resultados) aparecem, os méritos não são do remador, mas, do Capitão. O ministro responde pelo movimento da embarcação. Se ela não está se movendo é porque ele não está remando. Talvez não esteja havendo harmonia entre os remadores da embarcação; falta ritmo, sincronismo (remar ao mesmo tempo, no mesmo sentido). Talvez não esteja entendendo as ordens do Capitão, ou, quem sabe, esteja empreendendo suas estratégias pessoais e não as Dele. Ao ministro compete pagar o preço mais elevado. Sua vida de submissão, devoção, oração, jejum, consagração, meditação e estudo da Palavra certamente colocará a embarcação em poderoso movimento de conquistas. Remando com graça e unção cumpriremos nossa missão de huperetas-ministros de Cristo e inspiraremos outros para que também cumpram a sua (II Co 1-10; Fl 1.13,14).

 

Em face do exposto, concluímos com a reflexão de que os verdadeiros ministros estão entre aquela classe especial de pessoas que atravessarão os portais da eternidade sob os aplausos de Deus. O Supremo Galardoador, esboçando na face um sorriso de satisfação, lhes dirá: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.” - Mt 25.21 - (grifo nosso).

Servir bem aqui, para servir melhor lá. Aleluias!!!

 

No propósito de servir e edificar, seu conservo

 

Pr. Reinaldo Ferreira

Ministro da Igreja em São Miguel Paulista na Obra da Restauração

Bacharel em Direito